sexta-feira, 31 de maio de 2013

"Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados" (Provérbios 31:8)

No corpo de doutrinas de algumas Igrejas, há uma que versa sobre a Mordomia Cristã, ou seja, que fala sobre como nós, os que crêem em Jesus, somos apenas administradores daquilo que Deus nos tem dado: saúde, casamento, filhos, dinheiro, patrimônios, emprego, corpo, etc. E sendo administradores, temos como finalidade utilizar o quenos é dado em benefício do Reino de Deus, a saber: o cuidado pessoal, familiar e, também, dos desamparados. Sim, ainda que nos sintamos desconfortáveis em entender que o nosso dinheiro não é nosso, mas é do Senhor, e que o objetivo é, além de nós, cuidar dos que não o tem, este é o princípio doutrinário da Mordomia Cristã. É verdade que isso se aplica, também, as Igrejas, ou seja, elas também têm de socorrer os desamparados, visto que o dinheiro que arrecadam tem essa mesma finalidade. Mas o desconforto proveniente do objetivo da Mordomia Cristã se dá, principalmente, pelo fato que a medida que vamos ganhando dinheiro, acumulando patrimônio, ficamos cada vez mais apegados a essas coisas, ao ponto de termos dificuldade, por exemplo, de socorrer até alguém conhecido que esteja passando por dificuldades. Alguns dos povos antigos tinham um panteão de deuses, dentre estes, havia um chamado Mamon, o deus das riquezas. Muitos o cultuavam porque entendiam que a medida que o servissem, se tornariam prósperos. Assim, ao cultuá-lo, os fiéis não podiam ajudar a quem quer que fosse, visto que todo o dinheiro que possuíam estava consagrado a tal deus. Em pleno século XXI, tenho a impressão que muitos cristãos e algumas igrejas cristãs ressuscitaram ao deus Mamon. Aliás, não somente os religiosos, até os não-religiosos e ateus cultuam a Mamon. Digo isso porque o comportamento de muitos desses grupos demonstra tal adoração. Há religiosos que ofertam determinados valores em suas igrejas, porém, não socorrem um vizinho, amigo ou parente que esteja passando por alguma dificuldade; há igrejas que arrecadam muito dinheiro, porém, ao invés de aplicar os recursos segundo os valores do Reino, investem em mega-templos e outros patrimônios; conheço pouquíssimas comunidades religiosas que servem a população carente de educação e cuidado, com creches, escolas ou assistência social. Um dos reformadores da Igreja no século XVI, João Calvino, entendia que cada Igreja deveria abrigar uma escola, uma unidade de educação e, portanto, libertação através do conhecimento ao povo. Infelizmente, nosso apego ao que tempos não nos permite olhar ao redor, não nos permite compartilhar, e, portanto, afasta-nos da solidariedade. À medida que tudo o que fazemos e ganhamos é apenas para nós mesmos, contribuímos para o fortalecimento de uma sociedade cada vez mais exploradora - das pessoas e dos recursos naturais - e cada vez menos solidária. Assim, fica cada vez mais distante de nós o conselho do autor de Provérbios no sentido de defender aqueles que necessitam de defesa porque não tiveram as oportunidades que temos. Porém, depois ninguém poderá se queixar da violência, da falta de educação, e, consequentemente, da prisão domiciliar. Sim, porque numa sociedade que explora uns aos outros, e que por conta desta exploração contribui para o desenvolvimento da violência, a vida se tornará cada vez mais enclausurada em mausoléus. Será que, enquanto é tempo, não está na hora de nos tornarmos mais solidários e, assim, fazer com que a nossa vida, assim como tudo o que temos, tenha algum sentido que confira um novo valor à nossa existência? Pensemos nisso. 
​Com carinho e amizade,
Pr. André Luís Pereira

quarta-feira, 29 de maio de 2013

"O tolo dá vazão à sua ira, mas o sábio domina-se" (Provérbios 29:11)

Dominar-se talvez seja um dos grandes desafios que temos. Em situações em que somos pressionados - seja numa atividade ou num relacionamento - a primeira vontade que temos é lançarmos sobre as pessoas tudo o que nos estressa. Porém, ainda que, num certo sentido, tal expressão seja saudável, em muitos outros sentidos ela é negativa, visto que a nossa ira atinge, geralmente, as pessoas erradas, em tese, os mais fracos. Dificilmente descarregamos nossa ira ou nosso estresse sobre alguém que está numa posição superior a nossa, é com aqueles que estão em uma posição menor que descarregamos nossa ira. O autor de Provérbios orienta-nos a, nesses momentos, dominarmo-nos, pois, segundo ele, o domínio é sinal de sabedoria. E se levarmos em consideração toda a inconveniência produzida por um descarrego emocional, vamos concluir que o autor tem razão. Sim, porque ainda que o desabafo de nossas emoções seja algo importante e, até, saudável, isso deve ser feito no lugar correto, para a pessoa correta: um profissional ou, então, alguém que tenha condições de lidar com tal expressão de estresse. Normalmente, as pessoas com as quais nos relacionamos não estão preparadas e nem são obrigadas a lidar com o nosso mau humor, estresse e grosserias, provenientes das pressões que se estabelecem sobre nós: crises familiares, problemas profissionais, acúmulo de tarefas, etc. É verdade que ninguém é de ferro e que, por isso, em algum momento, não consegue guardar para si as angústias do coração, porém, até tal explosão emocional deve ser verbalizada com quem de direito, ou seja, aquele que é a fonte da angústia ou, então, um terapeuta. Creio que a segunda opção deva preceder a primeira, visto que há pessoas que lançam a angústia sobre nós e, mesmo quando confrontadas, insinuam que somos exagerados, ou que inventamos coisas. Por vezes, a ajuda profissional orienta-nos quanto a organização dos sentimentos e a maneira menos conflitiva de lidar com eles, proporcionando-nos, em muitos casos, o domínio próprio. Domínio que não implica em "engolir" aquilo que nos angustia, mas que nos capacita, com sabedoria e bom senso, a administrar as angústias e tratá-las de uma maneira honesta conosco, com que está ao nosso redor e com aqueles que as lançaram sobre nós. 
Com carinho de amizade, 
Pr. André Luís Pereira

terça-feira, 28 de maio de 2013

"Quem repreende o próximo obterá por fim mais favor do que aquele que só sabe bajular" (Provérbios 28:23)

O provérbio de hoje chama-nos a atenção para uma situação da vida real: saber discernir entre um amigo e um colega; e refletir sobre qual tipo de pessoas preferimos ter ao nosso lado. Todos nós gostamos de ter alguém por perto que nos bajule; que não nos exorte; que não chame a nossa atenção; porém, essas atitudes, ainda que sejam muito prazerosas, nem sempre são boas. É certo que elogiar e receber elogios são atitudes comuns num relacionamento entre amigos, porém, os amigos, seja pelas vias do elogio ou pelas vias da repreensão, sempre vão querer o nosso bem. Há pessoas que têm dificuldade de compreender essa verdade. Acham que aqueles que lhes chamam a atenção ou os repreendem em alguns momentos, estão tentando tirar a sua felicidade ou estão com inveja. Outros, quando um amigo demonstra zelo através de uma repreensão, rompem com a amizade. Ora, ter bajuladores ao nosso lado é bom, porém, até a bajulação tem seus limites. Já testemunhei pessoas indo pro fundo do poço e os "camaradas" de bebida apoiando, acariciando o ego, incentivando as atitudes impensadas. Também já testemunhei uma menina ser apoiada pelas amigas a insistir num relacionamento que não tinha mais condições de se restabelecer, provocando, assim, mais frustração e sofrimento. Tudo tem o seu limite. Há momentos que temos de parar; temos de reconhecer que chegamos ou ultrapassamos o limite daquilo que é sensato. Porém, se as amizades que constituímos não forem verdadeiras, entraremos em muitas enrascadas. Creio que isso se aplica a nós, na maneira como nos relacionamos com as pessoas que confiam em nós. Às vezes, eu digo isso porque já o fiz, por não termos coragem de contrariar uma pessoa, nos tornamos coniventes e cúmplices de grandes besteiras; ao pensar que estamos fazendo o bem, na verdade, estamos prejudicando uma pessoa. Por isso, é importante que repensemos nossas amizades e a nossa maneira de nos relacionarmos com as pessoas, para que, nossas boas intensões, não se tornem em grandes armadilhas para quem nós amamos. É importante, também, que reflitamos acerca da nossa própria postura quando somos repreendidos por alguém, pois, dependendo do grau de intimidade que temos com quem está nos repreendendo, creio que vale a pena atentar àquilo que nos está sendo dito. Em algumas situações, uma boa repreensão é mais importante do que um elogio ou uma palavra de motivação. Pense nisso!
Com carinho e amizade, 
Pr. André Luís Pereira

sexta-feira, 24 de maio de 2013

"Pois ainda que o justo caia sete vezes, tornará a erguer-se..." (Provérbios 24:16a)

O provérbio de hoje é libertador. Sim, é libertador no sentido de que nos devolve a realidade da imperfeição. Parece estranho falar sobre isso, não é mesmo? Mas, é uma verdade. Nós vivemos num tempo em que a busca pela perfeição tem nos tornado reclusos em nós mesmos, visto que as pessoas esperam de nós a perfeição. Ultimamente, já não se pode errar, não se pode esquecer, não se pode dizer: "não sei". E, particularmente, eu tenho percebido que essas cadeias já são postas em nós, logo na infância. Quando observo alguns pais se relacionando com seus filhos, principalmente perto de outras pessoas, a impressão que tenho é que, quando a criança faz algo errado ou vergonhoso, o que aliás é próprio em determinadas faixas etárias, os pais ficam envergonhados e corrigem a criança com muita veemência. Se a criança desobedece perto dos outros, os pais têm comportamentos ridículos: ou batem na criança ou gritam com ela. Quando na adolescência, o filho tem de ter as melhores notas na escola, não pode se rebelar em hipótese alguma, tem de se vestir "certinho" (segundo os padrões sociais aceitáveis), caso ele faça algo diferente disso, é reprimido, repreendido e, em alguns casos, levado até para a terapia. Sinceramente, penso que os pais que agem desta maneira são os deveriam ir buscar ajuda psicológica. Quando na juventude, o filho deve ter um bom emprego, estar numa boa faculdade, geralmente fazendo cursos que dão projeção social, como medicina ou engenharia, porém, se isso não acontece, logo, ainda que timidamente, começam a surgir nas conversas adjetivos como preguiçoso, folgado, etc. É claro que dentro de todo este contexto, está o desejo que os pais têm de ver os filhos muito bem, em todos os aspectos. Porém, quando este desejo torna-se um peso sob os ombros dos filhos. Tal comportamento tem de ser repensado e corrigido. Nós somos seres imperfeitos. Somada à imperfeição está o nosso temperamento e a nossa personalidade. E essas três realidades já são suficientes para que sejamos infinitamente diferentes uns dos outros, inclusive, diferente dos membros da nossa própria família. É necessário perguntarmos a nós mesmos: quando é que foi que nos ensinaram que todo mundo tem, necessariamente, de ser perfeito, ou seja, de saber tudo sobre todas as coisas, saber se comportar em todos os ambientes, ter todas as respostas as quais somos inquiridos? Quem foi que disse que errar, se equivocar, frustar as expectativas dos outros, são coisas às quais nós temos de nos envergonhar? Ora, todos nós estamos à mercê da vida, e para que possamos vivê-la de maneira intensa não precisamos ser perfeitos, apenas precisamos ser nós mesmos, conscientes de nossas habilidades e debilidades. É importante que aprendamos a focar nas habilidades, sem nos esquecermos de nossas debilidades, até para que não nos tornemos arrogantes e orgulhosos. O sábios são formados à partir da consciência de si mesmos. Por isso, enquanto conscientes da instável realidade humana, eles caem, erram, dão mancadas absurdas, porém, não têm vergonha em recomeçar, não colocam sobre si as cadeias da perfeição, permitem-se à liberdade para aprender com as quedas e, através delas, medirem o próximo passo. Contudo, se enquanto pais, professores, profissionais, líderes, pastores e outros líderes religiosos, nós insistirmos em colocar as cadeias da perfeição sobre as pessoas, com certeza, além de contribuirmos para o desenvolvimento de uma geração de frustrados, vamos dar "um tiro no próprio pé", pois, por mais que sejamos competentes naquilo que fazemos, nunca, em momento algum, vamos ser perfeitos. Assim, aquilo que impomos sobre os outros, se voltará contra nós mesmos, pois, quando errarmos, a decepção será tanta, que a vergonha se tornará nosso precipício. Pense nisso.
Com carinho e amizade,
Pr. André Luís Pereira

quinta-feira, 23 de maio de 2013

"Ouça, meu filho, e seja sábio; guie o seu coração pelo bom caminho. Não ande com os que se encharcam de vinho, nem com os que se empanturram de carne. Pois o bêbados e os glutões se empobrecerão, e a sonolência os vestirá de trapos" (Provérbios 23:19-21)


Quando algumas pensam na religião ou na Bíblia, geralmente, a visão que elas têm são de símbolos castradores da felicidade. Porém, se fizermos uma análise justa, veremos que isso não é verdade, pelo menos não o que diz respeito à Bíblia. Talvez algumas religiões, por interpretarem mal a Bíblia, acabam que sendo sinônimo de castração, e não somente da felicidade. Mas o cerne da Palavra de Deus está, também, em instrumentalizar-nos para a felicidade, para que possamos aproveitar esta vida da melhor maneira possível. O provérbio de hoje é uma das provas disso. Nele, o autor de provérbios, alerta-nos a buscar aquilo que é bom, aquilo que nos faz bem. E, em muitas situações, assim como é ensinado em Grupos Terapêuticos como o NA ou AA (Narcóticos ou Alcoólicos Anônimos), para que possamos trilhar pelo bom caminho, a Bíblia nos ensina que devemos ser seletivos quanto as nossas companhias, quanto as nossas amizades. Porém, com isso, o autor de Provérbios não está dizendo que não devemos, em hipótese alguma, nos relacionar com pessoas que bebem ou comem demais. Não! Não é isso. O autor nos orienta a não andar pelos caminhos deles; a não vivermos segundo a filosofia de vida deles, pois, esse tipo de filosofia de vida, geralmente, não leva a lugar algum. Possivelmente você conheça alguma pessoa que está rendida à bebida. Observando a vida desta pessoa, você já deve ter percebido os malefícios econômicos, morais, relacionais, comportamentais e profissionais, aos quais ela está envolvida. Geralmente, pessoas assim, não recebem credibilidade e, ainda que tenha muitos colegas (e isso quando têm), são extremamente vazias em muitos aspectos; quando estão embriagadas essa percepção do vazio fica mais evidente. Por isso, se quisermos fazer uma boa caminhada nesta vida, temos de abolir este tipo de vida. Temos de nos relacionar com quem tem essas dificuldades, porém, ao mesmo tempo, temos de separar a amizade do comportamento e dos valores. Talvez, o que possamos fazer é contribuir para ajudá-las a perceber o abismo em que estão metidas, e, em havendo disposição, ajudá-las a sair. Nossa vida é uma grande construção. Construção que demanda tempo, investimento, paciência e disposição em edificá-la. Assim, trilhar pelo bom caminho é sempre um desafio muito grande, contudo, os resultados nos outorgam orgulho, alegria e realização. Porém, o mau caminho é sempre mais atraente e mais fácil no início, contudo, os resultados nos outorgam vergonha, tristeza, solidão e frustração. Muitas das pessoas que percorrem pelo mau caminho, geralmente, o fazem anestesiadas, seja pelo prazer da bebida, seja pela ilusão do dinheiro fácil, seja pela aparência do status, enfim, de certa forma, sempre caminham iludidas, porém, o final do caminho não compensa a caminhada. Por isso, em se tratando da sua própria vida, para o seu próprio bem e para o bem daqueles a quem você ama, por mais que seja difícil, ande sob aquilo que é bom, digno, correto, honesto e verdadeiro, pois, com certeza, você nunca terá nada do que se envergonhar. E tem mais, além de não se envergonhar, contará com o orgulho, respeito e admiração daqueles que o amam. Portanto, atente-se ao que diz o autor de Provérbios: "ouça e seja sábio".
Com carinho e amizade,  
Pr. André Luís Pereira

quarta-feira, 22 de maio de 2013

"...quem toma emprestado é escravo de quem empresta" (Provérbios 22:7b)


No contexto próximo, a impressão que temos é que este provérbio está apontando para aquele que pede dinheiro emprestado para os outros. E, talvez, não haja uma situação tão escravizante quanto dever para alguém, principalmente para amigos ou parentes. Sim, aquele que empresta (devedor) submete-se a uma situação muito desagradável, constrangedora e, dependendo da circunstância, humilhante. É desagradável, também, para aquele que empresta dinheiro para o outro (credor). Sim, porque a questão financeira é algo muito pessoal e, à medida que é levada a público, expõe tanto quem precisa do empréstimo quanto quem empresta. Meu avô sempre dizia que "carro, mulher e dinheiro a gente não empresta pra ninguém" e, de certa forma, acredito que ele tinha razão. A questão do empréstimo vai além da ordem financeira. Penso que o dinheiro, ainda que tomemos um calote, a gente trabalha e conquista novamente, porém, como é difícil lidar com os desdobramentos provenientes de um calote. Aquele que empresta (devedor) e, por conta de diversas razões, não consegue pagar o empréstimo, geralmente, se for uma boa pessoa de boa índole, é tomado por sentimentos de vergonha, incapacidade, culpa, e tantas outras aflições, fazendo com que se afaste da família e dos amigos, às vezes, caindo em profunda depressão, sem contar o transtorno que se causa à família nuclear. Já o credor também é envolvido numa situação desconcertante, a sensação de não receber aquilo que ele se esforçou para guardar, é algo parecido com o sentimento de ter sido roubado, porém, nesse caso, o "roubo" foi consentido, piorando ainda mais essa sensação. Além de se sentir economicamente lesado, sentimentos de desconfiança, ira e traição vão crescendo a medida em que o devedor parece se acomodar com a situação. Assim, o que o autor de Provérbios nos diz hoje, torna-se uma verdade: "quem toma emprestado é escravo de quem empresta", e esta relação passa a envolver muitas outras pessoas. Eu sou do tipo de pessoa que perco o dinheiro mas não perco a amizade, porém, muitas outras pessoas não pensam assim, e, também, têm razão em não pensar dessa forma. Entretanto, quando nos sujeitamos a ambos os papéis, ou credor ou devedor, devemos ter muito claro em nossa mente que ao pedir ou conceder o empréstimo, colocamos em jogo uma boa amizade ou um significativo vínculo familiar. Entretanto, tal decisão deve ser tratada com muita reflexão pois, quando amizade é verdadeira e as razões demonstram-se justificáveis, penso que vale à pena estender a mão. Porém, tudo isso deve acontecer num ambiente de diálogo, intimidade e muita clareza. Caso o credor seja casado, tal situação deve, também, ter a aprovação do cônjuge, e isto por uma questão de lealdade e cumplicidade. Espero que ninguém precise se sujeitar a nenhum desses papéis, porém, caso seja necessário, que o faça com sabedoria.
Com carinho e amizade,
Pr. André Luís Pereira

terça-feira, 21 de maio de 2013

"Melhor é viver num canto sob o telhado do que repartir a casa com uma mulher briguenta" (Provérbios)


Já ouvi muitos cônjuges reafirmando este provérbio. Ainda que o provérbio fale da mulher, creio que podemos estender ao homem, pois, é difícil demais conviver com pessoas briguentas, gente que não tem bom senso, mal educada, desrespeitosa, etc. Infelizmente, há uma boa quantidade de pessoas que se casaram mas que não estavam preparadas para um relacionamento tão sério quanto o casamento. Tem gente que não sabe cuidar de si mesmo, quanto mais cuidar de uma outra pessoa. Há filhos que não respeitam os próprios pais e, mesmo assim, querem dividir a vida com outra pessoa. Há quem não consiga cuidar das próprias finanças, e ainda querem contrair casamento. Ou seja, são pessoas egoístas demais, desorganizadas em todos os aspectos, que não têm condições e, por isso, não podem, entrar numa relação como o casamento. Quando entram, daí o caos é instalado. Agora, imagine entrar num relacionamento em que, a nossa presença, é praticamente um tormento para a vida do outro. Imagine ser conhecido como alguém violento, briguento, mal humorado, indiferente, murmurador, etc; é claro que todo mundo tem o direito de ser o que quiser, entretanto, aqueles que decidem por esses tipos de comportamentos, devem ter em mente ninguém é obrigado a suportá-los, nem o cônjuge. Por isso é muito importante que, enquanto namorados, os casais conversem sobre seus comportamentos, temperamentos e personalidade. O que me preocupa atualmente é que até nos namoricos de adolescentes, um conhece o outro intimamente,porém, apenas no aspecto físico. Os casais enamorados desenvolvem um profundo envolvimento sexual, porém, não sabem nada acerca do outro: gostos, temperamentos, planos pessoais, enfim, não conhecem aquilo que é essencial num relacionamento. Assim, por não se conhecerem e não se exporem um ao outro, ou rompem o relacionamento quando a personalidade aflora, ou, então, se descobrem no casamento, situação na qual os prejuízos emocionais são ainda maiores. Daí a onda de divórcios, separações e muitos traumas decorrentes desses rompimentos e das experiências de frustração. Antigamente até se mantinha o casamento mesmo tendo um marido troglodita ou uma esposa barraqueira dentro de casa, porém, com o passar dos anos, as pessoas foram aprendendo que elas não precisam se submeter a esse tipo de pessoa. Contudo, a liberdade provinda da separação não vem composta de um anestésico emocional, principalmente quando o assunto é filho(a). É justamente por isso que eu ainda insisto na tecla de que os casais precisam se conhecer melhor, precisam compreender a seriedade de um relacionamento; precisam ser orientados e acompanhados, seja pelos próprios pais, pelos melhores amigos que têm um bom relacionamento, seja pelo líder religioso de suas comunidades. E tal acompanhamento não é uma questão de controle, de apontar certos ou errados. mas, principalmente, para ajudá-lo a construir um bom relacionamento. Sim, porque o casamento não é um ato ou uma cerimônia; o casamento é uma construção diária; e uma construção que ambos necessitam estar dispostos à ela. Casamento é um relacionamento que se constrói a cada dia, pois, a cada dia, nós estamos em constante mudança, visto que tudo nos influencia e, de certa forma, nos transforma. Mas quem quer assumir tal responsabilidade? Quem quer investir no outro? É muito mais fácil brigar, defender os próprios pontos de vista a qualquer preço; é muito mais fácil ignorar e desprezar o outro; é muito mais fácil trancar-se no quarto ou sair de casa. Tudo isso é muito mais fácil do que se reconhecer como alguém falho, limitado, egoísta; é mais fácil acusar o outro do que assumir a própria responsabilidade ou culpa. E gente assim, infelizmente, não pode casar, aliás, penso que não pode nem viver em sociedade. Pense nisso!
Com carinho e amizade,
Pr. André Luís Pereira

segunda-feira, 20 de maio de 2013

"Quem poderá dizer: 'Purifiquei o coração; estou livre do meu pecado'? (Provérbios 20:9)


Ah, o pecado! Instrumento que gera muitos traumas, culpas e rejeição em muitas pessoas. Instrumento utilizado por muitos religiosos para manipular os outros. Mas, o que é o pecado? Numa denominação simplista, porém objetiva, podemos dizer que é o conjunto de palavras, atitudes, pensamentos, e intenções que andam na contramão do Evangelho. A Bíblia diz que o pecado nos escraviza e nos mata; mas este morrer não é apenas o morrer físico, e sim o morrer proveniente do afastamento de Deus e dos valores próprios do Evangelho. Valores que nos conferem, como bem disse Jesus, "vida em abundância". E neste mundo, não há sequer um ser humano que possa dizer: "estou livre do pecado". Sim, todos nós somos pecadores. Mesmo quando acabemos de confessar os pecados, continuamos pecadores. Sim, porque o pecado está impregnado em nós, influenciando-nos em tudo o que fazemos. Mas isso significa que estamos perdidos? Não! Claro que não. O pecado, ainda que presente em nós, quando consagramos a nossa vida a Deus, perde o seu poder condenatório e a sua força letal, ou seja, por causa de Cristo, que na cruz, pagou o preço dos nossos pecados, livrou-nos da condenação. Portanto, por causa da fé na obra suficiente do Cristo, ainda que pequemos o tempo todo, já não precisamos mais carregar conosco aquela sensação de que frustramos a Deus; de que talvez Deus esteja triste ou decepcionado conosco. Sim, tudo aquilo que fazemos de mau, foi punido, castigado e colocado sobre Jesus Cristo na cruz do Calvário. Assim, seja qual for o pecado que viermos a cometer - qualquer um deles - Cristo já o perdoou na cruz. Portanto, é descabida toda a culpa, penitência, castigo, ou qualquer tipo de negociação, acerca de qualquer erro que venhamos a cometer. É claro que, ainda que os nossos pecados estejam perdoados por Deus, as consequências dos nossos atos irão recair sobre nós. Nós estamos livres das cadeias do pecado, cadeias que nos prendiam a ele, e agora, por causa daquilo que Jesus fez por nós na cruz, fomos libertos de uma vez por todas para que, em praticando o Evangelho, sejamos transformados, num processo gradativo, ao longo da vida, em pessoas que, ainda que pequem, já não sentem mais prazer em fazer aquilo que é mau - contra Deus ou contra as pessoas - mas vivem pela justiça, honestidade, verdade, humildade, enfim, vivem sob os alicerces do amor. Assim, a fé cristã implica em reconhecer que somos visceralmente pecadores, porém, pecadores perdoados por Deus na pessoa de Cristo Jesus; implica em crer que a obra de Jesus na cruz do Calvário perdoou-nos definitivamente, e que NADA, nem os nossos erros do passado, presente e do futuro, poderá nos condenar e nem nos afastar do amor de Deus; implica em entendermos que as consequências dos nos nossos erros são apenas consequências naturais daquilo que plantamos, porém, NUNCA serão castigos que Deus impôs sobre nós porque pecamos. Isto é fé. Fé que nos liberta do pecado, da culpa, da penitência, do castigo; porém, que nos reaproxima de Deus que, como Pai amoroso, aceita-nos mesmo com os nossos erros e imperfeições, pois nos amou de tal maneira que se entregou por nós, realizando na cruz aquilo que nunca conseguiríamos fazer por nós mesmos.
Bom dia a todos!!!
Com carinho e amizade,
Pr. André Luís Pereira

sexta-feira, 17 de maio de 2013

"Aquele que cobre uma ofensa promove amor, mas quem a lança em rosto separa bons amigos" (Provérbios 17:9)


Às vezes nós temos alguns comportamentos estranhos, dentre esses, um é ridículo: achar que falar tudo na "cara" das pessoas é uma questão de ser verdadeiro. Bom, verdadeiro até pode ser, entretanto, concomitantemente, é estúpido. Acho que é mais estúpido do que verdadeiro. Digo isso porque a própria vida ensina-nos que nem tudo deve ser dito; nem toda situação deve ser confrontada; nem todo problema tem solução; e, por isso, temos de saber temperar cada uma dessas situações. Sim, porque se não tivermos sabedoria para moderar tudo isso, vamos produzir um genocídio relacional. O autor de Provérbios aponta para uma direção maior quando o assunto é relevar a ofensa: ele aponta para o amor; aquela atitude que nos dá condições de relevar a ofensa e, assim, preservar o outro e o vínculo que temos com o outro. Mas, num tempo em que cada um pensa limitadamente apenas em si próprio, quem, de fato, se importa com o bem estar do outro? Na verdade, o que eu tenho visto é que há muitas pessoas que esperam que o outro se prejudique para que, assim, possam obter aquilo que o outro tem, ou seja, prestígio, amizades, cargos profissionais, etc. E quando tal prejuízo não acontece naturalmente, então, "não custa dar uma mãozinha", pensam alguns. E daí surge tudo quanto é tipo de ofensa, maldade, falsidade, mentira, fofoca; e o pior de tudo, é que tais maldades, quase sempre, são feitas em nome da "justiça" e da "verdade". Com isso eu não estou dizendo que temos de passar a mão na cabeça daqueles que nos ofendem; que devemos "engolir" a ofensa; que não podemos revidar ou que não devemos tirar satisfação com quem nos ofendeu. Pelo contrário, penso que temos de resolver aquilo que nos constrangeu ou nos prejudicou, porém, antes, temos de refletir se realmente vale à pena; temos de refletir se compensa "gastar vela boa com defunto ruim". Sim, porque há pessoas, principalmente aquelas que não se importam em ferir os outros, que, infelizmente, por mais que sejam orientadas, advertidas e censuradas, numa vão aprender o que quer que seja. Há pessoas que não têm condições de ver um palmo além do seu próprio umbigo e, portanto, não valem o nosso desgaste e nem as nossas boas intenções. Pessoas assim, infelizmente, têm como castigo a dolorida tarefa de conviver consigo mesmo, sem amigos, pois, quem em sã consciência vai querer criar vínculos com alguém intransigente? Portanto, se você convive com alguém assim, seja sábio, não perca tempo com os joguinhos que esse tipo de pessoa propõe. Não permita que os comportamentos negativos das pessoas mal intencionadas roubem a sua doçura, educação, prudência e tudo aquilo que há de bom em você. Viva sob a condução do amor. Amor a Deus, às pessoas e a si mesmo, pois, isto sim agrega valor e qualidade de vida à nossa vida.
Com carinho e amizade,
Pr. André Luís Pereira

quinta-feira, 16 de maio de 2013

"O Senhor faz tudo com um propósito" (Provérbios 16:4a)


Este provérbio já foi, e acho que ainda é, alvo de muitas discussões. Já ouvi pessoas dizerem que até quando aconteceram algumas das catástrofes neste mundo, de alguma maneira, Deus estava por trás de tudo e que, por ser Deus, ele tinha um propósito. Semanas atrás, um líder religioso afirmou que foi Deus quem matou John Lennon e, também, sabotou o avião em que estavam os Mamonas Assassinas. São idéias absurdas como essas que, de certa forma, fortalecem o ateísmo e, principalmente, roubam das pessoas a consciência acerca de um Deus que é TODO amor; de um Deus que não precisa punir, não precisa criar catástrofes, não precisa matar quem quer que seja para que, assim, seja reconhecido. Aliás, os "advogados" de Deus poderiam aposentar-se ou, então, mudar de cliente, pois ele não precisa que ninguém o defenda de nada. Sinceramente, penso que cada vez que tentamos defendê-lo, prejudicamos sua imagem. Sim, Deus fez todas as coisas com um propósito, porém, devemos nos lembrar que todo o propósito de Deus é bom. É herético, por exemplo, dizer que Deus tinha um propósito especial quando o Tsunami varreu uma cidade quase que inteira. É claro que é muito mais fácil nominar a Deus como culpado de coisas desse tipo do que assumirmos a culpa pela nossa irresponsabilidade em contribuir para o aquecimento global. É mais prático dizer que Deus tem seus propósitos, do que assumirmos um propósito nobre e, então, por exemplo, fazermos a seleção do lixo que produzimos em casa; é mais fácil apontar para os propósitos divinos do que deixar de jogar lixo nas ruas, principalmente quanto estamos ao volante de nosso carro; enfim, é sempre mais fácil achar um responsável que não seja nós mesmos. Porém, desde o início da criação, tudo o que Deus criou foi adjetivado de bom, inclusive o homem e a mulher. Não apenas o que ele criou, mas tudo o que ele faz é bom. Mau é aquilo que nós fazemos, da maneira como fazemos, e com os objetivos sob os quais fazemos. Para tentar nos ajudar no exercício da bondade, Deus nos deu os mandamentos, conjuntos de valores éticos-relacionais-religiosos para que possamos viver em sociedade; deu-nos, também, no Novo Testamento, através de Jesus, o conhecido "Sermão da Montanha", outro conjunto de valores éticos que é a aplicação vivencial do primeiro. Enfim, apesar de nossas limitações; apesar dos desastres naturais; apesar dos desastres próprios de nossas vidas; Deus continua com o firme propósito de nos amar, de nos acolher com seu amor, de nos consolar mediante nossas frustrações, dores e decepções. Por isso, seja sábio em suas escolhas; seja sensato com a sua própria vida; seja um cidadão responsável; essas posturas, com certeza, vão nos ajudar a perceber o quanto nós mesmos podemos fazer com que este mundo seja melhor; vão nos ajudar a perceber o quanto Deus nos fez com bons propósitos: cuidar uns dos outros e do mundo em que habitamos.
Bom dia a todos!
​Com carinho e amizade,
Pr. André Luís Pereira